por Rita de Cássia de A Almeida - psicanalista - Retirado do Blog do Nassif
Bullying é o tema do momento. A palavra é inglesa e originária da palavra bully cuja tradução é valentão. Naturalmente que valentões e valentonas sempre existiram. E acredito que todos nós pelo menos em algum momento na vida fomos vítimas de algum valentão e/ou já nos comportamos como um. Mas porque será que o bullying se tornou um problema com tanto destaque nos últimos tempos, a ponto de parecer que ele só surgiu recentemente? Não tenho respostas formuladas para esta questão, mas acredito que haja um caldeirão favorável que faz com que o bullying esteja tão em voga.
Freud dizia que a fonte de maior sofrimento para nós é resultante de nossas relações com os outros já que, inevitavelmente e invariavelmente elas produzem alguma espécie de fracasso ou mal-estar. Vivemos, no entanto, numa era onde fracassos e mal-estares são completamente abominados. Então, se não há espaço para os mal-entendidos tudo precisa ficar sempre bem-entendido e, uma das formas que encontramos para aplacar os mal-entendidos da atualidade tem sido convocar rotineiramente o discurso judiciário para mediar nossas relações. A isso chamamos judicialização das relações pessoais. Mas, o perigo de sempre recorrer a este tipo de discurso para solucionar nossos problemas interpessoais é o de nos colocarmos sempre em lugares estanques e cristalizados; ou somos as vítimas ou somos seus algozes.
Permeado por um discurso fortemente judicializado torna-se preocupante a maneira como tem sido tratada a questão do que aprendemos a chamar de bullying. A exploração do tema tem se ocupado em dar voz a um exército infindável de pessoas que afirmam sofrerem ou terem sofrido esta forma de violência e que não se cansam de reafirmarem o lugar que foi definido para elas; o de vítimas. Os algozes por sua vez são os demônios do momento, execrados em suas condutas violentas e opressoras, mas que, afinal, apenas reproduzem as relações de poder que nossa sociedade semeia e reforça.
Tenho um filho adolescente. Certa vez, quando ele contava com uns 8 anos de idade, me relatou que havia um garoto em sua sala que o intimidava constantemente, com palavras e pequenas agressões. A meu pedido, ele me apontou o garoto na saída da escola que, como eu já suspeitava, tinha o dobro seu do tamanho. Me lembro que na hora em que vi o garoto, tive ímpetos de abordá-lo e tirar satisfações ou procurar os pais dele ou ainda me reportar à direção da escola. Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, mães psicólogas ou psicanalistas não pautam suas intervenções em teorias e fórmulas científicas. Educam como a maioria dos pais, baseados em seus saberes inconscientes, ou seja, saberes não teorizáveis e que foram adquiridos ao longo da vida. Sendo assim, com meu coração apertado e sem saber se estava tomando a melhor decisão, apenas disse ao meu filho algo mais ou menos assim: – Sei que este garoto tem o dobro do seu tamanho e sei que você está com medo dele, eu também teria se estivesse no seu lugar, mas também sei que você é muito mais inteligente que ele e vai saber resolver este problema. Passaram-se os dias e meu filho não se queixou mais do valentão. Certo dia, perguntei a ele se o garoto ainda o importunava e ele me disse: - Tudo bem, mãe. Eu já resolvi. Agora somos amigos. Perguntei como isso tinha acontecido e ele me disse com simplicidade: - Eu perguntei se ele queria ser meu amigo e ele aceitou.
Obviamente que ao fazer esta intervenção com meu filho eu jamais poderia imaginar o seu desdobramento, ainda mais um tão inusitado. Minha fantasia de solução transitava entre o final do filme Karatê-kid (onde o menino franzino finalmente dá uma surra no valentão) e uma revolução coletiva dos magrelos contra os fortões, liderada pelo meu filho, é claro. Hoje eu sei que a maneira que ele encontrou para resolver sua diferença com o valentão da sala foi invenção dele, mas também sei que ela só pôde acontecer porque eu, mesmo sem saber, permiti com minha maneira de intervir, que ele deixasse de ser apenas uma vítima dessa cena para também protagonizá-la. Se eu tivesse abordado o tal valentão, por exemplo, poderia até conseguir que ele deixasse de ser o algoz do meu filho, mas este jamais deixaria de ser a vítima.
Este é o problema das intervenções baseadas no discurso judicializado, elas apenas reforçam os papéis que já foram estabelecidos, sendo assim, as mudanças só ocorrem numa provável inversão de posições – como aconteceu no caso de Casey Haynes o menino gordinho que se tornou febre na internet depois de cansar de ser saco de pancadas e revidar em seu agressor – o que não modifica em nada o produto da relação, neste caso, violência.
Não pretendo de maneira nenhuma fazer deste relato uma receita para lidar com o bullying, pois, não acredito em receitas para educar e muito menos em receitas para resolver nossos mal-estares quotidianos. Mas, creio que devemos evitar intervenções que sirvam apenas para cristalizar e reforçar as pessoas em determinados lugares, dando a falsa impressão de que estamos tratando do problema. Sendo assim, coibir e punir os agressores pode até inibi-los em determinadas situações, mas não os fará questionar suas atitudes e sua posição perante o outro. Da mesma maneira, ter piedade e proteger as vítimas, não as fará experimentar posições subjetivas mais potentes e proativas.
Meu filho me ensinou muito em nossa experiência com o tal bullying, que na época nem tinha esse nome. Aprendi que muito além de agressores e agredidos, de vítimas e algozes, esta forma de mal-estar pode produzir algo muito mais interessante e positivo: amigos. E porque não? Sem esquecer que mesmo os amigos às vezes se desentendem.
quarta-feira, maio 18, 2011
segunda-feira, maio 09, 2011
Bolsas para rede estadual de ensino
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Marcel
Por Agência Fapesp
Serão oferecidas bolsas de R$ 1.300 (mestrado) e R$ 1.600 (doutorado). O benefício teve aumento de 64,5% para mestrado e de 102,5% para doutorado em relação aos valores oferecidos até este ano. "Com o incentivo, esperamos ampliar o número de docentes com mestrado e doutorado que lecionam nas escolas estaduais", disse Herman Voorwald, secretário da Educação e membro do Conselho Superior da Fapesp.
Para participar, os educadores devem ter no mínimo três anos de atuação no cargo e ser efetivos. Professores com pós-graduação em andamento também podem se inscrever. Neste caso, receberão bolsa proporcional ao tempo de curso (sem efeito retroativo).
Desde que foi criado, em 2004, o Bolsa Mestrado/Doutorado teve 3.477 trabalhos inscritos e aprovados. Desse total, 2.246 foram concluídos. Mais informações e inscrição: bolsamestrado.edunet.sp.gov.br.
Para participar, os educadores devem ter no mínimo três anos de atuação no cargo e ser efetivos. Professores com pós-graduação em andamento também podem se inscrever. Neste caso, receberão bolsa proporcional ao tempo de curso (sem efeito retroativo).
Desde que foi criado, em 2004, o Bolsa Mestrado/Doutorado teve 3.477 trabalhos inscritos e aprovados. Desse total, 2.246 foram concluídos. Mais informações e inscrição: bolsamestrado.edunet.sp.gov.br.
sexta-feira, maio 06, 2011
Grupo fará 'mamaço' após mãe ter sido impedida de amamentar em exposição
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Marcel
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| Crédito: Antônio Carlos Banavita |
Um grupo de mães organiza pelo Facebook um "mamaço" no Itaú Cultural da Avenida Paulista. Em março, uma mulher foi impedida de amamentar seu bebê em uma exposição no local. "Estava com meus dois filhos, um de dois anos e outro de dois meses. O menor acordou, pediu para mamar. Enquanto amamentava, rapidamente uma monitora me alertou que era proibido dar de mamar naquele espaço", disse a antropóloga Marina Barão, de 29 anos. "Reagi com espanto. Sem graça, a funcionária me levou à enfermaria dos bombeiros para que amamentasse lá", acrescenta.
Segundo Marina, a monitoria afirmou que os funcionários haviam sido orientados a não permitir que mães amamentassem na exposição, apenas na enfermaria. "Ela disse que era ordem superior. Fui pega desprevenida, falei que aquilo era contra os direitos da criança, mas ela pediu que a acompanhasse, senão chamaria um segurança."
Enquanto tentavam localizar a chefe dos bombeiros para abrir a enfermaria, a criança chorava. "Demorou uns 10 minutos. Não podia mais esperar, acabei amamentando meu filho na escada. A monitora então ficou olhando para os lados, preocupada se alguém visse", disse a mãe.
De acordo com a antropóloga, depois que a mobilização na internet começou, o Itaú Cultural enviou desculpas ao grupo. Ela afirmou ter aceito a retratação, mas o protesto - marcado para o dia 12 - será mantido. "Acho bacana as desculpas, nossa intenção não é guerra. Mas vamos fazer o ato pela importância da amamentação materna, para que isso não seja um ato mal visto socialmente", completa.
O Itaú Cultural reconhece que houve um "erro de orientação". "Dizemos aos monitores que as pessoas não podem se alimentar no espaço das exposições. Neste caso, o funcionário pôs a regra em prática. Foi uma orientação imprecisa", disse o diretor da entidade, Eduardo Saron. "Além de pedir desculpas às mães no Facebook, chamei nossa equipe e rediscutimos as medidas de atendimento ao público. Tomamos como aprendizado."
Saron afirma se o "mamaço" se concretizar, o Itaú Cultural vai "abraçar o ato". "Vejo a mobilização com bons olhos. Se as mães forem, vamos preparar uma programação especial, que dizer que somos abertos a todos."
Nota publicada pelo Itaú Cultural no Facebook
Pedido de desculpas e esclarecimento
Segundo Marina, a monitoria afirmou que os funcionários haviam sido orientados a não permitir que mães amamentassem na exposição, apenas na enfermaria. "Ela disse que era ordem superior. Fui pega desprevenida, falei que aquilo era contra os direitos da criança, mas ela pediu que a acompanhasse, senão chamaria um segurança."
Enquanto tentavam localizar a chefe dos bombeiros para abrir a enfermaria, a criança chorava. "Demorou uns 10 minutos. Não podia mais esperar, acabei amamentando meu filho na escada. A monitora então ficou olhando para os lados, preocupada se alguém visse", disse a mãe.
De acordo com a antropóloga, depois que a mobilização na internet começou, o Itaú Cultural enviou desculpas ao grupo. Ela afirmou ter aceito a retratação, mas o protesto - marcado para o dia 12 - será mantido. "Acho bacana as desculpas, nossa intenção não é guerra. Mas vamos fazer o ato pela importância da amamentação materna, para que isso não seja um ato mal visto socialmente", completa.
O Itaú Cultural reconhece que houve um "erro de orientação". "Dizemos aos monitores que as pessoas não podem se alimentar no espaço das exposições. Neste caso, o funcionário pôs a regra em prática. Foi uma orientação imprecisa", disse o diretor da entidade, Eduardo Saron. "Além de pedir desculpas às mães no Facebook, chamei nossa equipe e rediscutimos as medidas de atendimento ao público. Tomamos como aprendizado."
Saron afirma se o "mamaço" se concretizar, o Itaú Cultural vai "abraçar o ato". "Vejo a mobilização com bons olhos. Se as mães forem, vamos preparar uma programação especial, que dizer que somos abertos a todos."
Nota publicada pelo Itaú Cultural no Facebook
Pedido de desculpas e esclarecimento
por Itaú Cultural, sexta, 6 de maio de 2011 às 00:20
No mês de março, uma frequentadora de nossa sede na Avenida Paulista foi orientada pelo nosso serviço de atendimento ao público a não amamentar seu bebê no espaço coletivo de visitação. A direção do Instituto tomou ciência do fato por meio da internet, onde houve protestos justificados contra a conduta.
De fato, há uma regra geral que não permite que os visitantes se alimentem nas salas de exposição, regra esta instituída para resguardo das obras ali expostas.
A orientação geral, que não esclarecia e não contemplava especificamente a amamentação, induziu ao erro de avaliação e de atendimento. Alertados pelos protestos, revimos os procedimentos e estabelecemos nova orientação. As mães e seus filhos são muito bem-vindos no Itaú Cultural. A amamentação é um ato de amor e a melhor maneira de proporcionar o alimento ideal para o crescimento saudável e o desenvolvimento dos bebês, e pode ser praticada livremente em nossos espaços coletivos.
Estamos empenhados em proporcionar às mães com crianças pequenas, as melhores condições para que possam usufruir de nossas atividades e exposições. Pedimos desculpas publicamente pelo ocorrido e reiteramos, mais uma vez, o nosso compromisso de atender com carinho e acolhimento todos aqueles que nos visitam.
segunda-feira, maio 02, 2011
Editora Unesp lança download de livros gratuitos
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Marcel
A Editora Unesp (Universidade Estadual Paulista), em parceria com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da universidade, vem disponibilizando gratuitamente dezenas de livros eletrônicos (para download) em diferentes áreas do conhecimento. As obras integram a Coleção PROPG Digital e recebem o selo Cultura Acadêmica.
Atualmente são 44 títulos, baseados em estudos feitos na própria universidade, que abordam, entre outros áreas, Filosofia, Literatura, Ciência da Informação, Economia, Direito e Educação. O propósito da Unesp para os próximos 10 anos é atingir a meta de publicação de 600 livros, abordando outras áreas do conhecimento, como Design, Direito, Psicologia, Música, Filosofia, entre outros.
Trata-se do maior projeto de difusão de publicações de uma universidade pública brasileira e único quanto a concepção de publicação de obras originais em formato digital. Os primeiros títulos da Coleção encontram-se disponíveis no site http://www.culturaacademica.com.br
Atualmente são 44 títulos, baseados em estudos feitos na própria universidade, que abordam, entre outros áreas, Filosofia, Literatura, Ciência da Informação, Economia, Direito e Educação. O propósito da Unesp para os próximos 10 anos é atingir a meta de publicação de 600 livros, abordando outras áreas do conhecimento, como Design, Direito, Psicologia, Música, Filosofia, entre outros.
Trata-se do maior projeto de difusão de publicações de uma universidade pública brasileira e único quanto a concepção de publicação de obras originais em formato digital. Os primeiros títulos da Coleção encontram-se disponíveis no site http://www.culturaacademica.com.br
A polêmica sobre a balcanização da internet
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Marcel
Postado por Carlos Castilho no Observatório da Imprensa
O assunto ainda não ganhou as manchetes da imprensa, mas já está na agenda dos estrategistas e estudiosos da comunicação há algum tempo, pois são cada vez mais claros os sinais de uma polarização entre adeptos e críticos da nova ordem mundial que está sendo lentamente implantada pelas consequências socioeconômicas e politicas da internet.
A questão central é a manutenção da internet como uma rede unificada ou o seufracionamento em múltiplas redes, cada uma com suas regras e tecnologias próprias. Não é uma questão simples, porque a linha divisória entre as duas partes não segue a clivagem tradicional entre conservadores e inovadores.
Um recente estudo patrocinado pela ONU e realizado pela organização Freedom House mostrou como aumentou o controle, ou melhor, as tentativas de controledo acesso à internet na maioria dos 37 países pesquisados, entre eles o Brasil. O trabalho foca na questão das limitações ao livre acesso identificando governos repressores, cuja lista inclui tradicionais desafetos das grandes organizações jornalisticas do planeta.
O assunto ainda não ganhou as manchetes da imprensa, mas já está na agenda dos estrategistas e estudiosos da comunicação há algum tempo, pois são cada vez mais claros os sinais de uma polarização entre adeptos e críticos da nova ordem mundial que está sendo lentamente implantada pelas consequências socioeconômicas e politicas da internet.
A questão central é a manutenção da internet como uma rede unificada ou o seufracionamento em múltiplas redes, cada uma com suas regras e tecnologias próprias. Não é uma questão simples, porque a linha divisória entre as duas partes não segue a clivagem tradicional entre conservadores e inovadores.
Um recente estudo patrocinado pela ONU e realizado pela organização Freedom House mostrou como aumentou o controle, ou melhor, as tentativas de controledo acesso à internet na maioria dos 37 países pesquisados, entre eles o Brasil. O trabalho foca na questão das limitações ao livre acesso identificando governos repressores, cuja lista inclui tradicionais desafetos das grandes organizações jornalisticas do planeta.
domingo, maio 01, 2011
Blog invadido
Postado por
Marcel
Pessoal, peço desculpas se receberam alguma mensagem. Minha conta do Gmail e também o meu blog foram invadidos por algum servidor da China. O Gmail me avisou e me informou as precauções necessárias, medidas que já foram tomadas. Aqui no Blog deixaram apenas uma mensagem vendendo algo. Espero que nada de mais grave tenha ocorrido, mas peço desculpas se alguma mensagem indevida foi enviada.
quarta-feira, abril 13, 2011
terça-feira, abril 12, 2011
Gay Talese e o jornalismo preguiçoso
Postado por
Marcel
Retirado do Blog do Luis Nassif
De CartaCapital
Gay Talese: "O jornalismo está se tornando preguiçoso"
Por Fernando de Oliveira e Thiago Maurique*
Truman Capote, Tom Wolfe e Norman Mailer foram alguns dos expoentes do Novo Jornalismo — no qual se investiga com os instrumentos de repórter e relata com os recursos da ficção –, mas nenhum deles brilhou tanto nesse movimento surgido nos anos 60 quanto Gay Talese. Repórter do New York Times entre 1955 e 1965, cuja história contou no clássico O Reino e o Poder (1969), Talese escreveu algumas obras-primas da reportagem entre elas Frank Sinatra Está Resfriado, que se tornou o perfil mais famoso da imprensa norte-americana.
De escrita elegante, proveniente de um exaustivo processo de apuração, Talese contabiliza hoje, aos 79 anos, 11 livros publicados, todos traduzidos em diversos países e dissecados nos cursos de jornalismo pelo mundo. E nessa extensa produção está Honra Teu Pai, lançado recentemente pela Companhia das Letras e considerado pelo autor como um de seus favoritos.Publicado em 1971, Honra Teu Pai conta a história de Joseph Bonanno, chefe de uma das mais poderosas famílias de mafiosos de Nova York, e de seu filho Salvatore "Bill" Bonanno. Para escrever esse livro, o então repórter do New York Times Gay Talese precisou se tornar amigo de Bill Bonanno e esperar cerca de cinco anos para convencer o mafioso a lhe contar sua história. E ainda assim teve de esperar mais algum tempo até que Bill o autorizasse a escrever. Contudo, o jornalista realizou um livro-reportagem fundamental para entender os meandros da máfia.
Para falar sobre Honra Teu Pai, o jornalismo e seu próximo livro, Gay Talese concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Fernando de Oliveira, do jornal gaúcho, de Santa Cruz do Sul, Diário Regional. A entrevista foi dada por telefone, de Nova York, onde Talese reside com sua esposa, a editora Nan Talese. Aqui, prosa dos repórter com esse mestre do jornalismo.
De CartaCapital
Gay Talese: "O jornalismo está se tornando preguiçoso"
Por Fernando de Oliveira e Thiago Maurique*
Truman Capote, Tom Wolfe e Norman Mailer foram alguns dos expoentes do Novo Jornalismo — no qual se investiga com os instrumentos de repórter e relata com os recursos da ficção –, mas nenhum deles brilhou tanto nesse movimento surgido nos anos 60 quanto Gay Talese. Repórter do New York Times entre 1955 e 1965, cuja história contou no clássico O Reino e o Poder (1969), Talese escreveu algumas obras-primas da reportagem entre elas Frank Sinatra Está Resfriado, que se tornou o perfil mais famoso da imprensa norte-americana.
De escrita elegante, proveniente de um exaustivo processo de apuração, Talese contabiliza hoje, aos 79 anos, 11 livros publicados, todos traduzidos em diversos países e dissecados nos cursos de jornalismo pelo mundo. E nessa extensa produção está Honra Teu Pai, lançado recentemente pela Companhia das Letras e considerado pelo autor como um de seus favoritos.Publicado em 1971, Honra Teu Pai conta a história de Joseph Bonanno, chefe de uma das mais poderosas famílias de mafiosos de Nova York, e de seu filho Salvatore "Bill" Bonanno. Para escrever esse livro, o então repórter do New York Times Gay Talese precisou se tornar amigo de Bill Bonanno e esperar cerca de cinco anos para convencer o mafioso a lhe contar sua história. E ainda assim teve de esperar mais algum tempo até que Bill o autorizasse a escrever. Contudo, o jornalista realizou um livro-reportagem fundamental para entender os meandros da máfia.
Para falar sobre Honra Teu Pai, o jornalismo e seu próximo livro, Gay Talese concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Fernando de Oliveira, do jornal gaúcho, de Santa Cruz do Sul, Diário Regional. A entrevista foi dada por telefone, de Nova York, onde Talese reside com sua esposa, a editora Nan Talese. Aqui, prosa dos repórter com esse mestre do jornalismo.
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