sexta-feira, setembro 03, 2010

FFLCH tem seminário sobre pensamento político

Publicado no USP Online

A Questão Nacional do Pensamento Político-Social Brasileiro é o tema do seminário organizado pelo Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) de quarta (8) a sexta-feira (10) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP.

O evento contará com a participação dos professores Angela Alonso, Bernardo Ricupero, Fernando Pinheiro, Gabriel Cohn, Maria Arminda do Nascimento Arruda (pró-reitora de Cultura e Extensão da USP), Patricio Tierno, e Rossana Rocha Reis.
O local é o Anfiteatro de História e Geografia da FFLCH (Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo).
A programação pode ser consultada no folder do evento. A entrada é gratuita, sem necessidade de inscrições prévias.

Mais informações: (11) 3871-2966

Universo não precisou de Deus para surgir, diz físico

Por Sabine Righetti e Reinaldo José Lopes na Folha de SP

O físico-celebridade britânico Stephen Hawking aparentemente cansou de bancar o bonzinho com Deus. Em seu mais novo livro, ele afirma que o Criador é dispensável para explicar o Universo.

E isso porque a obra de Hawking, 68, recebeu o nome enganoso de "The Grand Design" ("O Projeto Grandioso"). Mas, junto com o físico e coautor Leonard Mlodinow, o que ele faz no texto é negar a existência de um projeto divino para o Cosmos.

"Uma vez que existe uma lei como a gravidade, o Universo pode e vai criar a si mesmo a partir do nada. A criação espontânea é a razão pela qual existe alguma coisa no lugar de coisa nenhuma, a razão de nós existirmos.

Não é preciso invocar Deus para que o Universo tenha um começo", escreveu a dupla.

O trecho do livro, que só chega às lojas na semana que vem, foi publicado no diário "Times", de Londres.

O bafafá em torno das frases fez com que Hawking fosse um dos temas mais comentados no Twitter na quinta-feira e levou até a uma réplica mal-humorada do rabino-chefe do Reino Unido, Lorde Jonathan Sacks. "A ciência que se disfarça de religião é tão perniciosa quanto a religião que se disfarça de ciência", disse.

A Web está morrendo?

Por Elis Monteiro no Fórum PCs

Na verdade, a resposta para a pergunta do título é mais sombria. Pelo menos na opinião do célebre Chris Anderson, em matéria escrita por ele que estampa a capa da Revista “Wired” publicada este mês. A reportagem tem um título sugestivo e assustador: “The Web is dead.” (“A Web está morta”). Ou seja, o processo não está em curso, mas chegou ao seu ápice. Mesmo que o título pareça sensacionalista e a matéria seja um tanto quanto alarmista, ela traz muitos pontos de reflexão e são estes pontos que eu gostaria de debater aqui – por se tratar de um fórum, não há ambiente mais adequado, certo?

Antes de começarmos, no entanto, vamos rever o currículo de Chris Anderson, o que pode abalizar (ou não) sua opinião nas nossas cabeças. Afinal, quem é este homem que está assassinando a www? Pois Chris não é um qualquer, muito menos um futurólogo de carteirinha, um Nostradamus da tecnologia. Editor-chefe da Wired, Anderson é físico e escritor. É de sua autoria, por exemplo, o famoso “The Long Tail” – em português, “A cauda longa” (Campus/Elsevier), publicado em 2006. Anderson também já trabalhou nas revistas “Sciense”, “Nature” e “The Economist” e esteve recentemente no Brasil para uma palestra. Para quem trabalha no ramo da tecnologia, a opinião dele sempre importou, afinal, ninguém edita a Wired durante nove anos (desde 2001) à toa, certo?

Ok! Definimos que a opinião de Chris Anderson importa. Agora, vamos aos fatos: ele avalia, no texto, que a Web já está morta, mas que a internet continua a ser usada – e muito. Mas como assim? Web e Net não são a mesma coisa? Aí está a pegadinha. O público acostumou-se a considerar Web, Net e Rede como sinônimos. E não são, nunca foram e nunca vão ser. A www (World Wide Web, vulgarmente chamada de Web) nasceu há duas décadas e está, diz Anderson, sendo substituída por serviços como Skype, Netflix, redes peer-to-peer e aplicativos como Twitter, Facebook, etc. Mesmo que usem a Net (internet, a plataforma), tais serviços e aplicativos não necessariamente passam pela www. Ou seja, a tendência é que as pessoas abandonem a navegação pelos websites, via browsers, e passem a usar serviços diretos, rápidos, funcionais, que economizem tempo e que não estejam na Web.

Google cria webjornal com os assuntos mais comentados


Da Redação do site Comunique-se
com informações da InfoOnline

O Google criou um jornal com os assuntos mais pesquisados em seu mecanismo de busca. O webjornal batizado de "Google Beat" é semanal, e apresentado por Anne Spiritu, que explica o que levou os assuntos ao topo dos mais pesquisados.

A primeira edição falou do "recall de ovos" (egg recall), causado por um surto de salmonela que deixou mais de mil pessoas doentes nos Estados Unidos. Outro tema foi o concurso Miss Universo 2010.

O Google Trends e Google Insights for Search auxiliam na seleção dos temas do jornal. As ferramentas revelam as tendências e padrões de interesse dos internautas nos serviços de busca.

O primeiro "Google Beat" foi ao ar no dia 27/8. A segunda edição deve ser publicada hoje no YouTube.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Comunidade acadêmica debate evolução da modalidade no país

Informações de Adriane Cunha, da Assessoria de Imprensa do MEC
Publicado no Jornal da Ciência


A melhoria da qualidade dos cursos de educação a distância, as novas tecnologias, os conteúdos e as práticas pedagógicas estarão em debate a partir desta quarta-feira, 1º, no 16º Congresso Internacional de Educação a Distância.

O encontro reúne, até sexta-feira, 3/8, em Foz do Iguaçu (PR), 1,1 mil participantes da comunidade acadêmica do Brasil. Farão palestras representantes da França, Estados Unidos, Espanha, Canadá, Venezuela, República Dominicana e Paraguai.


Na cerimônia de abertura, na noite de terça-feira, 31 de agosto, o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Fredric Litto, afirmou que o Ministério da Educação tem contribuído para a melhoria da qualidade dessa modalidade de ensino no país. Para ele, o canal de diálogo estabelecido por meio da Secretaria de Educação a Distância (Seed) do MEC tem sido fundamental para responder as questões da comunidade. A Abed é a promotora do encontro.

Em 2008, o MEC abriu processo de supervisão em 39 instituições de ensino superior para avaliar os cursos de graduação a distância e garantir a qualidade. O secretário de educação a distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, salientou que o governo federal tem investido na modalidade.

"A educação a distância é um processo que desenvolve o processo cognitivo do estudante, e isso tem sido demonstrado no desempenho positivo desses alunos", analisou. "Ao inserir estudantes excluídos do processo educacional, principalmente por morarem em locais distantes dos grandes centros, conseguimos realizar essa inclusão."

Mais informações sobre o encontro podem ser obtidas no sitehttp://www.abed.org.br/congresso2010/

Jornalismo é uma profissão; apresentar anúncios, outra

Publicado por Alberto Dines no Observatório da Imprensa

Primazia indiscutível, oportuna, simbólica: a Folha de S.Paulo foi o primeiro jornalão a questionar abertamente a contratação da celebrada atriz/garota-propaganda Marília Gabriela para apresentar o novo formato do programa jornalístico Roda Viva, na TV Cultura. Na nobilíssima Página Dois de segunda-feira (30/8), o colunista Fernando de Barros e Silva condenou a perigosa superposição de telejornalismo com jingles através da contratação de uma apresentadora de anúncios televisivos no comando de um histórico programa de debates e entrevistas (ver "Cultura de salão", reproduzido nesteOI). O colunista não faz juízos de valor, elegantemente passa ao largo de performances, quer discutir princípios. Bem-vindo, pois, a este Observatório da Imprensa.

Convém reparar, porém, que a Folha cometeu o mesmo pecado duas vezes e tem ajudado com o seu indiscutível poder de fogo a apagar os contornos de uma profissão que ela – e suas parceiras na mídia – deveriam ser as primeiras a consagrar e proteger.

A recente reforma gráfica e editorial da Folha foi promovida na TV em comerciais divinamente interpretados pela atriz Fernanda Torres. E, em seguida, a atriz foi contratada para escrever sobre política na Folha. Como atriz e apresentadora de comerciais é perfeita – ostenta no DNA a grandeza de Fernando Torres e a humanidade de Fernanda Montenegro. Como colunista (na Vejinha Rio) foi uma agradabilíssima surpresa. Se estamos falando de princípios rigorosos, sua contratação como articulista na editoria "Poder" da Folha seguiu um raciocínio dúbio. Tudo bem: é possível admitir que o colaborador de um jornal possa aparecer em mensagens institucionais do veículo onde trabalha. Neste caso, não pode ser remunerado.

Falta cancha

Há alguns anos, quando o jornalista e produtor cultural Nelson Motta, então colunista da mesma Página Dois da Folha, protagonizou uma série de comerciais de TV para uma grande organização bancária, foi explicado que não havia conflito de interesses porque o jornalista não se ocupava de economia e finanças, sempre focado em música popular, sua incontestada especialidade.

Discutindo a relação mídia x saúde pública em Brasília

Na mesa, Lígia Formenti (Estadão), Wagner Vasconcelos
 (Fiocruz), Luciano  Martins Costa (Observatório da
Imprensa) e Kátia Lerner, do Observatório da Saúde
 na  Mídia da Fiocruzo Icits (Fiocruz)
Semana passada estive em Brasília, onde participei com minha esposa, Evenize, do Seminário Temático "As Relações da Saúde Pública com a Imprensa - o Caso da Influenza A H1N1", promovido pela Fiocruz Brasília. Foram dois dias de debates muito ricos entre jornalistas, cientistas e gestores de áreas públicas da Saúde, como Ministério da Saúde, por exemplo.

De um lado, os jornalistas alegando que o trabalho feito foi bom. De outro, cientistas e gestores reclamando do sensacionalismo empregado nas notícias. No meio, um grande problema: quando envolve saúde pública qual o papel da mídia? Publicar seu conteúdo às pressas, podendo até colocar em risco a vida de pessoas ou se omitir e deixar a população e o leitor desinformado? Foi, intelectualmente, provocante.

Discutir a mídia e o trabalho que está sendo feito pelas redações é essencial para conseguir manter a visão plural, sem aquele olhar enviesado, focado só no método e no ethos jornalístico. Voltei com várias anotações, novos amigos, sugestões de literatura e, como não poderia deixar de ser, novo conhecimento a respeito dessa problemática.

Abaixo, reproduzo a matéria publicada no site da Fiocruz Brasília sobre o evento:

Críticas contundentes à atuação da imprensa; as dificuldades de pesquisa sobre a mídia, e a estratégia de cobertura adotada por um dos maiores jornais do país foram as abordagens da última mesa do Seminário Temático As relações da Saúde Pública com a Imprensa – o caso da Influenza A (H1N1) – promovido pela FIOCRUZ Brasília e encerrado ontem.

A interação entre estudantes e profissionais das áreas de Saúde e Comunicação enriqueceu os debates da mesa redonda Saúde Pública e a Imprensa: Interdependência e Balanço da Atuação. A mesa contou com a participação do jornalista do Observatório da Imprensa, Luciano Martins Costa; da pesquisadora do Observatório Saúde na Mídia (do Icict), Kátia Lerner, e da jornalista do jornal O Estado de S. Paulo, Lígia Formenti. A mesa foi mediada pelo coordenador da Assessoria de Comunicação da FIOCRUZ Brasília, Wagner Vasconcelos.

O factóide como método


Publicado por Muniz Sodré no Observatório da Imprensa

Sinal de coisa nova: no final do aviso, o alto-falante do aeroporto agradece pela atenção. Talvez não seja novidade importante, mas de qualquer forma é sintoma do valor crescente dessa mercadoria pela qual hoje se trabalha ou se briga na esfera pública: a atenção. Era ela o pano de fundo do programa do Observatório da Imprensa (TV Brasil) sobre um factóide do qual participamos semanas atrás (ver "A construção da mentira". Há, entretanto, algo mais a se dizer sobre o assunto, que parece ter uma incidência mais ampla na sociedade contemporânea.

Para quem não assistiu ou não se lembra, vale recordar detalhes do fato. Como roteiro de seu filme sobre a apuração insuficiente dos acontecimentos por parte da mídia jornalística, um profissional de imprensa inventa uma organização não-governamental inglesa destinada a abraçar pessoas. Um representante dessa imaginária "ONG do abraço" posta-se no centro de São Paulo, abraçando passantes. A mídia acorre em peso à novidade, sem que um repórter sequer se dignasse a apurar a veracidade do fato, isto é, a real existência da ONG.

No programa comandado pelo mestre Alberto Dines, nós levantamos, de forma muito breve, duas hipóteses. A primeira, inspirada no livro da professora da UFRJ Raquel Paiva (Histeria na Mídia, Editora Mauad), aponta, como característica principal da mídia contemporânea, a histeria, que é uma doença da representação. Evidentemente, não são diretamente aplicáveis as categorias nosográficas do funcionamento mental do indivíduo a instituições ou organizações. Mas, além da psiquiatria, é possível trabalhar a analogia entre a disfunção individual e o excesso discursivo típico do falatório midiático, que voa nervosamente como mosca sobre grandes e pequenas fontes de excitação.

Repórter fisicamente agredida

A segunda hipótese tem terminologia inglesa. Trata-se do flash-mob (mob como diminutivo de mobilization), designação do fenômeno midiático de produção de fatos, reais ou imaginários, capazes de mobilizar instantaneamente, ainda que por um instante (flash) a atenção do público. Acontece com frequência na internet, em especial nas chamadas redes sociais (twitters, blogs etc.), mas pode se dar em qualquer faixa do longo espectro comunicativo hoje coberto pela mídia. A "ONG do abraço" era dessa natureza.